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Truth, Freedom and the Concern for Man. Heidegger and Krishnamurti.

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Introduction

The goal of this paper is to discuss Martin Heideggers’ explanation of Being and his thoughts on humanism,as expressed in Letter on Humanism. I will discuss Heidegger’s ideas in relation to Eastern philosopher, Jiddu Krishnamurti. Krishnamurti, like Heidegger, finds truth to be attainable, however, thinks that methodology and traditional ways of thinking, distract from the truth, ultimately causing conflict. For Heidegger, the methodology that distracts us from the truth of Being is traditional metaphysics, grounded in logic. Both thinkers, focus on truth, freedom, and Being[i]. Although it is not the focus of the paper, but an important mentionable, there is a fundamental difference between Heideggerian philosophy and the teachings of Krishnamurti. Krishnamurti focuses on truth, as an understanding of the self. This is done for the betterment of the human being, and human sake. Krishnamurti did not intend, or set out to do philosophy. He ultimately…

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Obra: efeito de um fazer?

Esse texto surgiu de uma questão apresentada por uma aluna a partir da leitura do texto Ciência e pensamento do sentido de Heidegger, p. 43, do livro Ensaios e conferências publicado pela Editora Vozes. A questão apresentada fazia referência às relações que o filósofo aponta entre diversas palavras-conceito: enérgeia, entelecheia, actio, operatio e claro, obra (do alemão Werk), sua raiz indo-européia uerg, efficere, effectus e por aí vai.

A referência a energia e não a enérgeia já cria alguns problemas que são justamente objeto de reflexão de Heidegger no texto em questão. A palavra é grega e tratá-la como energia (em português) dá margem a muitas confusões, fora aquelas advindas propriamente do uso conceitual que esse termo teve na tradição Ocidental. Trata-se não apenas de uma palavra grega qualquer, mas de um conceito. Por isso me referi a palavras-conceito. Como tal, foi introduzido por Aristóteles juntamente com outro, a dynamis. De acordo com Ferrater Mora (1964), estes são usualmente traduzidos por ato, ou atualidade, e potência.

Na primeira parte do seu texto, Heidegger fornece justamente um panorama de como os conceitos de teoria e do real foram pensados em diversos momentos. Claro que esse panorama apresenta um horizonte de reflexão no qual se relacionam ou se articulam outros conceitos fundamentais. É precisamente o que ocorre no trecho em questão. Heidegger explicita na p. 42 que “o real é o vigente”, aquilo que é levado a cabo ou a ser o que é através ou como resultado de uma operação. No início da p. 43 ele explica que a essa relação entre o vigente e o operar pertence também à noção da raiz indo-européia uerg, donde provém o alemão Werk e o grego érgon, isto é, obra. Dá-se a nítida relação com o operar. No português a palavra obra provém do latim opera.

Heidegger não é, no entanto, um historiador. Por isso, não se contenta em apenas fornecer um panorama histórico. É preciso pensá-lo e criticá-lo. Isso implica inclusive em ressalvar algumas questões da historiografia conceitual. Na acepção do real como o que é vigente e sua associação com o resultado de um operar, pode-se facilmente, pela via da lógica, estabelecer o nexo entre o operar e o real como sendo este uma consequência daquele. O real é o vigente porque é o resultado de uma operação. Apressadamente, compreende-se a característica desse operar como algo eficiente que conduz a um efeito. Heidegger adverte que não se trata disso, isto é, o real não é um efeito do operar porque

“o traço fundamental de ‘operar’, ‘wirken’, e de ‘obra’, ‘Werk’, não reside no efficere e no effectus mas em algo vir a des-encobrir-se e manter-se desencoberto”.

Vamos entender isso antes de prosseguirmos: operar (wirken em alemão) e obra (do alemão Werk) não possuem como traço ou característica fundamental o efficere e o effectus. O que é isso, efficere e effectus? Efficere é uma palavra latina, um verbo, presente ativo infinitivo de efficio. Não ajudou muito não é? Bem, então vamos lá: efficio provém do prefixo e adicionado à palavra facio. O prefixo e quer dizer “sair de” no sentido de provir de. É como em evidência, aquilo que provém da vidência ou da visão, ou seja, que está manifesto a partir da visão. Já a palavra facio significa isso mesmo: fazer. Então, efficere é realizar algo que provém de um fazer. Uma série de ações se relacionam com esse tipo de fazer: resolver, efetuar, executar, completar, realizar, formar, compor, causar a ocorrência, acarretar, produzir, portar, permitir, mostrar, provar, deduzir. Bem, nota-se que o campo que efficere abrange é muito vasto.

Effectus provém da mesma raiz, só que não é verbo, mas um particípio passado de efficere. Effectus é o feito, ou o provindo do fazer: resolvido, efetuado, executado, completado, realizado, formado, composto e assim por diante. Fica clara a relação de dependência entre efficere e effectus, tributária de uma compreensão de que o vigente é o feito, o provindo de um fazer, ou seja, seu efeito. Em outro texto, Sobre o Humanismo, Heidegger também aponta para essa questão:

“de há muito que ainda não se pensa, com bastante decisão, a Essência do agir. Só se conhece o agir como a produção de um efeito cuja efetividade se avalia por sua utilidade.” (Heidegger, 1995, p. 23).

Diante disso, retomemos a advertência de Heidegger, agora da seguinte maneira: o traço fundamental do operar não reside na relação entre o fazer e seu efeito. Não que essa relação inexista, nem que ela não seja, afinal de contas, uma característica do operar. Apenas não é este o traço fundamental, isto é, aquilo que funda, que desencadeia o operar. O que dá origem, o que desencadeia o operar, o fundamental no operar é que nele, algo vem a des-encobrir-se e manter-se no desencoberto. Por conseguinte, não somente o real é um operar em que nele o vigente vem à sua vigência, des-encobre-se e aí, como tal, se mantém, no desencoberto, mas a obra é esse lugar de acontecimento do desencobrimento da vigência. Esse é o motivo pelo qual Heidegger afirma que

“mesmo quando os gregos, a saber, Aristóteles, falam daquilo que os latinos chamaram de causa efficiens, eles nunca pensam em causa e efeito” (p. 43).

Claro que não, pois o traço fundamental, o que determina o operar não é a causa e o seu efeito, mas sim o des-encobrimento. Consequentemente, continua Heidegger,

“o que se per-faz num érgon é o que se leva à plenitude da vigência”.

Note-se bem, vamos passar para o “bom português”, se é que algo assim tem algum valor:

o que se per-faz na obra é o que se leva à plenitude da vigência.

Na mesma carta Sobre o Humanismo (p. 23-4) ele afirma que

“a  Essência do agir, no entanto, está em consumar. Cons-sumar quer dizer: conduzir uma coisa ao sumo, à plenitude de sua Essência. Levá-la a essa plenitude, producere.”

Dessa maneira, a essência do agir é produzir e não o operar. Isto ele já havia apresentado na p. 42 quando se refere ao crescimento e à vigência da physis como um fazer:

physis é thésis, a saber, a pro-posição de algo por si mesmo, no sentido de por em frente, de trazer à luz, de a-duzir e pro-duzir, de levá-lo à vigência.”

Assim, retornando à questão da obra e à discussão do operar não se caracterizar pela ação que produz efeito, mas sim pela ação que deixa, no des-encobrimento, vir a vigência ao desencoberto, a obra,

érgon é a vigência no sentido próprio e supremo da palavra. Somente, por isso, Aristóteles chama a vigência do que está em pleno vigor de sua propriedade, de enérgeia ou também de entelécheia, ou seja, o que se mantém na plenitude (de sua vigência)” (p. 43).

Então, para esclarecer, a leitura revitalizante de Aristóteles por Heidegger nos aponta para um diferença bastante sensível de enérgeia. Na tradição do pensamento ocidental, de algum modo, perdurou a noção do latim actio, do operar como fazer e seu efeito. Porém, na leitura heideggeriana, a ênfase consiste precisamente não o ato e seu efeito, mas sim no que é fundamental na enérgeia, o

“trazer para (her) o desencoberto, (…) levar para (vor) a vigência” (p. 43, §2).

Dois esclarecimentos a respeito desse parágrafo e que podem deixar o leitor confuso:

  1. Na citação acima, os prefixos do alemão entre parênteses – (her) e (vor) são consituintes da palavra alemã her-vor-bringen – trazer e levar à vigência (discussão sobre a physis na p. 42, §2). O problema é que na edição brasileira não aparece a palavra em alemão, então fica estranho quando na página seguinte menciona-se os tais prefixos.
  2. Na 2ª linha onde Heidegger diz “Nossa palavra ‘realidade’ só traduz adequadamente a palavra fundamental de Aristóteles para a vigência do vigente (entelécheia)…” há aí um erro na edição brasileira. Foi colocada a palavra entelécheia entre parênteses, mas no original alemão, e mesmo pelo sentido do que Heidegger diz, o termo correto é enérgeia. Do jeito que está na edição, fica um pouco confuso.

Para concluir, tomando essas explicações em consideração, vê-se por que Heidegger diz:

“desde o tempo posterior a Aristóteles, este significado de enérgeia, ficar e permanecer em obra, foi entulhado por outros significados” (p. 43).

Daí em diante, no seu texto, o filósofo passa a apresentar tais significados e, especialmente, as consequências para a compreensão do que é o real.

Referências

FERRATER MORA, J. Diccionario de Filosofía. Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 1964.

HEIDEGGER, M. Sobre o humanismo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1995.

_____.  Ensaios e Conferências. Petrópolis: Vozes, 2001.