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XIV SEMPEM

Vem aí o XIV Seminário Nacional de Pesquisa em Música promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Música da UFG. A jornada acadêmica será realizada entre os dias 29 de setembro e 01 de outubro de 2014 na Escola de Música e Artes Cênicas. A programação, além de comunicações orais e sessões de pôsteres sobre diversos temas de pesquisa em música, contará ainda com convidados nacionais e internacionais, mini-cursos, palestras e conferências, mesas redondas e, como não poderia deixar de ser em qualquer atividade cujo foco é a Música, concertos e apresentações artísticas.

Dentre os convidados internacionais, Marcel Cobussen, da Universidade de Leiden, Holanda, cujas especialidades abrangem da pesquisa artística à improvisação, entre outras. A chamada de trabalhos e propostas artísticas já está aberta e pode ser acessada através do site sempemufg.weebly.com.

O tema do XIV SEMPEM é abrangente e de interesse de toda a comunidade acadêmica musical:

O FAZER MUSICAL CONTEMPORÂNEO – Metodologias, Tecnologias, Inovações.
A Pesquisa Artística e sua presença no universo acadêmico: produção, produtividade e produtivismo.

As áreas temáticas encontram-se divididas em:

  1. Performance musical na contemporaneidade, novas tecnologias e inovações.
  2. Cultura, sociedade e o fazer musical contemporâneo
  3. Metodologias, tecnologias e inovações em educação musical e saúde
  4. Pesquisa em arte e pesquisa artística: questões da produção do conhecimento artístico e do conhecimento científico, convergências, divergências e complementaridade.

O tema geral do Seminário centra-se no fazer musical contemporâneo e suas relações com a produção de conhecimento, seja sob a perspectiva de suas metodologias, o emprego de diferentes tecnologias e inovações, seja sob o ponto de vista da criação musical e o papel da pesquisa artística, sua presença no universo acadêmico. Urge a discussão e reflexão sobre as relações entre o conhecimento artístico musical e o conhecimento científico, suas similaridades e convergências, mas também suas particularidades, divergências e mesmo sua complementaridade. O campo de reflexão sobre o assunto é vasto e suas implicações, profundas, especialmente no que se refere a avaliação do conhecimento por parte dos pares e das agências de fomento. Dessa forma, algumas questões que fazem parte do debate são: a presença da música e das artes na academia, suas contribuições, sua articulação com o conhecimento científico, as relações que estabelece com a produção do conhecimento, os critérios de avaliação etc. Nesse sentido, o XIV SEMPEM aceitará propostas tanto de trabalhos de pesquisa em andamento ou concluídos, relato de experiências, como também propostas de apresentações artísticas a serem realizadas no decorrer do evento.

Para começar…

Uma tentativa de pensar a experiência com a música passa pelo que nela permanece impensado e que manifesta o inaugural, incapaz de ser medido e calculado através de um registro plenamente identificável e representável. O inaugural da origem dificilmente se deixa representar. Resiste ser apropriado simplesmente por um sistema de redução lógica e racional. O pensar a origem é sempre um pensar memorável. Na e pela memória das origens dá-se o pensar do que é digno de ser pensado.

“A memória do poetar pensante e do pensar poético é a memória original das origens originantes” (SOUZA, 2001/2).

Por isso, a experiência originária com a música não pode se dar simplesmente nos moldes do que um sujeito da razão faz com um objeto do conhecimento. Toda experiência com o inaugural é fundamentalmente diferente da aquisição e do acúmulo de conhecimentos a respeito de um objeto. Na unidade de música e homem ambos se convocam mutuamente numa co-respondência recíproca.

Apesar da separação dessa unidade implicar a destituição dessa experiência conjunta, estas e tantas outras instâncias de comum-unidade de sentido se desarticulam desde a prototípica separação do inteligível e do sensível, imposta pelo preponderância de uma experiência, puramente intelectiva, sobre outra, denominada sensível. Analogamente, formula-se a separação de homem e mundo, o predomínio daquele sobre este e o desdobrar-se e estender-se desse predomínio como estrutura válida e de validação para toda e qualquer realidade na relação modelar sujeito-objeto. Nessa relação, o modo de manifestação de sentido se baseia no sistema de representação. O real não mais deve ser inter-pretado, mas sim medido e calculado, sendo disposto numa e por uma representação do intelecto assegurando-o como algo sempre disponível (HEIDEGGER, 2001, p. 39-60).

Referências

HEIDEGGER, Martin. Ensaios e conferências. Petrópolis: Vozes, 2001.

SOUZA, Ronaldes de Melo e. A criatividade da memória. In: Prismas: historicidade e memória. Francisco Venceslau dos Santos (org.). Rio de Janeiro: Centro de Observação do Contemporâneo, Caetés, 2001/2, p. 31.